O RIO DA VIDA
1 Depois disto, o homem me fez voltar à entrada do templo, e eis que saíam águas de debaixo do limiar do templo, para o oriente; porque a face da casa dava para o oriente, e as águas vinham de baixo, do lado direito da casa, do lado sul do altar.
2 Ele me levou pela porta do norte e me fez dar uma volta por fora, até à porta exterior, que olha para o oriente; e eis que corriam as águas ao lado direito.
3 Saiu aquele homem para o oriente, tendo na mão um cordel de medir; mediu mil côvados e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos tornozelos.
4 Mediu mais mil e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos joelhos; mediu mais mil e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos lombos.
5 Mediu ainda outros mil, e era já um rio que eu não podia atravessar, porque as águas tinham crescido, águas que se deviam passar a nado, rio pelo qual não se podia passar.
6 E me disse: Viste isto, filho do homem? Então, me levou e me tornou a trazer à margem do rio.
7 Tendo eu voltado, eis que à margem do rio havia grande abundância de árvores, de um e de outro lado.
8 Então, me disse: Estas águas saem para a região oriental, e descem à campina, e entram no mar Morto, cujas águas ficarão saudáveis.
9 Toda criatura vivente que vive em enxames viverá por onde quer que passe este rio, e haverá muitíssimo peixe, e, aonde chegarem estas águas, tornarão saudáveis as do mar, e tudo viverá por onde quer que passe este rio.
O RIO DA VIDA
Na Palestina existem dois grandes lagos muito conhecidos, também chamados de mar devido à sua grande extensão e volume de água: o Mar da Galileia e o Mar Morto.
O Mar da Galileia também é chamado de Mar de Tiberíades e Lago de Genesaré.
O Mar da Galileia e o Mar Morto ficam há alguns quilômetros de distância um do outro, mas são alimentados pelo mesmo rio: o Rio Jordão.
Ambos possuem características bem distintas.
O Mar da Galiléia é azul. É cheio de vida e de contrastes, de calma e de ondas.
Nas suas margens a natureza cultiva lindas flores.
Já o Mar Morto é um grande lago de água salgada em que não há vida.
Embora os dois recebam água do mesmo rio – do rio Jordão – um é vivo e o outro é morto.
Por que esses dois lagos são tão diferentes?
O Mar da Galileia tem afluentes que permitem a distribuição de água para outros lugares.
Sua água, quando chega, parte de imediato para remediar a seca dos campos. Rega as flores e sacia a sede dos homens e dos animais.
No Mar Morto, a água fica estagnada e mata toda a reserva de vida à sua volta.
É uma grande sepultura!
Acontece o mesmo com as pessoas. Há pessoas que são como o Mar da Galileia: repartem as coisas boas que recebem e compartilham a Graça do Evangelho com outras…
Porque são pessoas que vivem e fazem viver.
Mas outras são como o Mar Morto: recebem a Graça do Evangelho… Guardam… Mas não repartem…
São como água estagnada que morre e causa a morte à sua volta.
É possível que após esta introdução nos estejamos nos auto-avaliando e chegando a dura conclusão de que somos mais semelhantes ao Mar Morto do que o Mar da Galileia.
Não desanime!
A beleza do Evangelho consiste em sabermos que só há ressurreição onde há sepulturas.
Para nós, que, talvez, nos achemos semelhantes ao Mar Morto, o texto que acabamos de ler enche o nosso coração de esperança.
O profeta Ezequiel teve uma visão de um rio que saía do trono de Deus. Suas aguas são curativas.
Por onde passam trazem a vida. Tudo que a água toca ressuscita…
Veja o que o SENHOR diz ao profeta nos versos 8 e 9:
“Estas águas saem para a região oriental, e descem à campina, e entram no mar Morto, cujas águas ficarão saudáveis. Toda criatura vivente que vive em enxames viverá por onde quer que passe este rio, e haverá muitíssimo peixe, e, aonde chegarem estas águas, tornarão saudáveis as do mar, e tudo viverá por onde quer que passe este rio.”
O texto nos ensina que nunca é tarde para recomeçar...
Se temos recebido a Graça do Evangelho, temos que reparti-la.
Jesus disse: “É dando que se recebe”; “De graça recebestes, de graça daí”.
Repartir é o único caminho para a vida...
“E, aonde chegarem estas águas, tornarão saudáveis as do mar, e tudo viverá por onde quer que passe este rio” (Ezequiel 47. 9).
Em conversa com a samaritana, Jesus disse: “Aquele que beber da água que eu lhe der, do seu interior fluirão rios de água viva”.
Você é um rio do amor de Deus! Siga a correnteza!
Por onde você passar o ambiente ficará melhor e as pessoas se sentirão felizes.
Mas você acha que não tem muito a oferecer porque a sua reserva de água é pequena.
Todo rio começa pequeno para se tornar grande.
Um rio não se auto-alimenta... Ele é alimentado por afluentes...
Ele cresce na medida em que recebe água dos afluentes que contribuem para a sua formação e crescimento.
Mas não é somente o rio que cresce através de afluentes... Nós também!
Nós crescemos na medida em que somos ajudados pelas pessoas e ajudamos outras…
Nossos pais, nossos parentes, nossos amigos, nossos pastores, nossos conhecidos e desconhecidos… E até os nossos inimigos, desafetos e dissidentes...
Todos eles nos ajudam a ser o que somos e a chegar aonde chegamos.
Ao mesmo tempo, repartimos o que recebemos aos nossos filhos, netos, parentes, amigos, conhecidos e desconhecidos.
Fomos escolhidos por Deus para levar a mensagem do Evangelho... Para sermos afluentes da Graça nas vidas dessas pessoas a fim de que elas cumpram o propósito de Deus e se tornem aquele rio imenso.
Eu não estaria aqui agora pregando para você… Eu não participaria da sua vida como eu tenho participado…
… Se o SENHOR não tivesse me escolhido como rio ou afluente para levar a água da vida ao seu coração sedento.
Estamos aqui para ajudar um ao outro a se tornar um grande rio...
Na minha juventude eu dava aulas de inglês para algumas pessoas em suas casas.
Vânia era uma menina de 10 anos de idade... Ela estudava inglês por imposição dos pais, mas detestava inglês…
Ela torcia sempre para que eu faltasse... Quando eu chegava para dar aula, era um Calvário na vida de Vânia...
À trancos e barrancos, eu consegui passar algum conhecimento de inglês para Vânia...
Mais tarde eu me estabeleci na vida profissional, casei-me, constituí família e segui o meu próprio rumo. Perdi o contato com Vânia e sua família.
Há algum tempo atrás eu fui surpreendido com um e-mail da Vânia que me encontrou através da Internet.
Hoje ela está casada, tem um filhinho, e está morando e trabalhando nos Estados Unidos.
A primeira coisa que ela fez questão de me dizer foi:
“Muito obrigado por suas aulas de inglês! Hoje eu sei como as suas aulas foram importantes!”.
Eu fiquei feliz porque anos depois eu tomei conhecimento que fui útil na formação daquela menina.
Isso alegrou muito o meu coração porque eu fui um afluente que ajudou a formar o seu rio.
Mas se ela não tivesse feito contato comigo eu morreria sem saber que a ajudei.
Talvez seja o momento de procurarmos aquelas pessoas que participaram de nossa formação – que nos ajudaram a formar o nosso “rio” – e agradecê-las e encorajá-las.
Se não tem como retribuir de outra maneira, agradeça-as pelo que fizeram!
Não espere que elas morram para dizer todas aquelas palavras bonitas no seu funeral – Diga-as enquanto ainda estão vivas e podem ouvir.
Um rio que não reparte as suas águas fica pequeno... Estagnado... E seca...
Um rio que reparte as suas águas cresce e se fortalece…
Cada um de nós é um rio... E precisamos repartir nossas águas.
É a única maneira de nos mantermos vivos e levarmos vida aos que estão mortos.
“E, aonde chegarem estas águas, tornarão saudáveis as do mar, e tudo viverá por onde quer que passe este rio” (Ezequiel 47. 9).
Há uma linda canção que diz assim:
Existe um rio, Senhor que flui do teu grande amor
Águas que correm do trono, águas que curam, que limpam
Por onde o rio passar
Tudo vai transformar
Pois leva a vida do próprio Deus
Este rio está neste lugar
Quero beber do teu rio, Senhor
Sacia minha sede, lava o meu interior
Eu quero fluir em tuas águas
Eu quero beber da tua fonte, fonte de águas vivas
Tu és a fonte, Senhor
Reverendo Eurípedes da Conceição
Pastor Efetivo
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